quinta-feira, 20 de maio de 2010

Certezas


Imagem by Fernando Figueiredo



"Me diga
Preciso começar a te esquecer?
Já chegou a hora ou está passando da hora?
Sei exatamente quando foi que me perdi, mas não consigo encontrar o momento em que comecei a te perder.
Me diga antes que eu sofra.
Não me faça prometer o que não te faz diferença.
Ou então me tira do cano, me leva com você, cuida de mim, me dê proteção, me ame todos os dias.
Brigue comigo, me faça ser só sua, me rapte, me queira só prá você.
Me dê o prazer de não mais ter que me despedir.
Me dê o prazer de não mais ter que esperar.
Me dê o prazer de saber que vc sempre irá voltar.
Ou então me dê somente a certeza de que devo mesmo te esquecer."

(TOP SECRET*)


Recebi este texto de uma pessoa que não quer ser identificada, e somente nessa condição eu poderia postar aqui no blog.

Quando comecei a ler, pensei "nossa, parece que foi eu quem escreveu". Quantos não vão ler e ter a mesma sensação? A verdade é que somos tão parecidos quando o assunto é amor, as mesmas dúvidas, medos, esperança, buscas por certezas.

Mas como ter certeza? Ninguém tem, não tem como ter e esse é um dos grandes dilemas, porque só conhecemos o caminho ao caminhar, mesmo que já o tenhamos percorrido antes, ele nunca será o mesmo pois a paisagem já mudou, nós também já não somos os mesmos. Como diz Heráclito: “um homem não toma banho duas vezes no mesmo rio", porque não será o mesmo homem e nem o mesmo rio.

E, mesmo não tendo certeza de nada na vida, o que nos mata, com certeza (rsrs), é a incerteza.


* Promessa cumprida.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sábio índio



Imagem by Nei Lima


Uma noite, um velho índio Cherokee contou ao seu neto sobre a guerra que acontece dentro das pessoas.

Ele disse: “A batalha é entre dois 'lobos' que vivem dentro de todos nós. Um é Mau. É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso, superioridade e ego. O outro é Bom. É alegria, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé”.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: “Qual lobo vence?”

O velho Cherokee respondeu: “... Aquele que você alimenta...”


Qual o lobo que você alimenta?

Essa deve ser uma reflexão diária, pode ser no café da manhã, ao longo do dia ou quando você deita a cabeça no travesseiro, momento de tranquilidade ou de perturbação, de acordo com o que foi vivido no dia, porque neste momento é que nos deparamos com algo que mesmo que a gente queira não tem como fugir, a nossa CONSCIÊNCIA.

Posso enganar uma multidão, trapacear, usar máscaras, trocá-las ao longo do dia de acordo com meus interesses, mas enganar a si próprio é impossível.

Felizes daqueles que podem olhar-se no espelho da sua alma e sorrir...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O que Há


Imagem by Zuleva

Há o medo de amar, de se entregar
Há também a paixão, o tesão

(Nessa batalha, não há vencido, nem vencedor)

Há somente, o amor.


by Giu


CHANCES by Five For Fighting


domingo, 16 de maio de 2010

A Província Morna




Imagem by José Luis Magalhães


O AFERIDOR
(Manoel de Barros)

"Tenho um Aferidor de Encantamentos.
A uma açucena encostada no rosto de uma criança
O meu Aferidor deu a nota dez.
Ao nomezinho de Deus no bico de uma sabiá
O Aferidor deu nota dez.
A uma fuga de Bach que vi nos olhos de uma criatura
O Aferidor deu nota vinte.
Mas a um homem sozinho no fim de uma estrada
sentado nas pedras de suas próprias ruínas
O meu Aferidor deu DESENCANTO.
(O mundo é sortido, Senhor, como dizia meu pai.)"



Tenho uma grande amiga, jakutinga, geminiana, melancia quente, espitiruosa, alegre, divertida, inteligente e muitas vezes "no cano", like me.

Conversamos muito sobre nossas vidas, nossos amores, nossos dissabores, nossas dúvidas, nossos medos. Quando conversamos sobre diversos assuntos, principalmente os do coração, sempre privilegiamos a alegria, o amor, o "ser feliz", claro que, sem prejudicar ou fazer sofrer quem quer que seja.

Ontem, chegamos à conclusão que o universo masculino é muito diferente do nosso. Sabemos disso há muito tempo, mas o insight da conversa de ontem, assim como a conclusão que chegamos foi muito específica, existe uma "confraria masculina" que se retroalimenta das suas regras para que assim possa sobreviver, tanto a confraria quanto o Homo Lineares*, que segue o curso da vida de maneira sempre linear, segura, sem sobressaltos.



A PROVÍNCIA MORNA**
(by Bi@)

Existe um corporativismo com pseudônimo de amizade que manipula a vida dos outros de forma a não permitir que correntes sejam quebradas, nem com o intuito da felicidade. Refiro-me às correntes do que é preestabelecido - como se o homem só pudesse agir de uma forma para se autoafirmar perante à classe masculina.

Ainda não fui clara? Então vou desenhar: o cara te vê feliz, alçando vôos inacreditáveis. Pensa que, se você continuar voando com tamanha felicidade, pode transpor os limites conhecidos, encontrar uma terra mais feliz ainda do que a província em que vive. Pode ser que nessa terra nova haja furacão, vulcão, mas viveria com o coração acelerado, com possibilidade do bem ou do mal.

Como isso é uma ameaça aos habitantes da "Província Morna", torna-se uma convenção o aconselhamento de tirá-lo desse grande perigo. E é nesse momento que os homens levam os rótulos. Da entrega do coração à paixão à perda do romantismo. O corporativismo faz a indústria dos rótulos. Não quebrar paradigmas é o lema.

Que tal tentar ser menos previsível? Não seria bom entrar de peito aberto e descobrir sozinho se essa terra nova tem solo fértil? Muito mais cômodo é ouvir o macho beta, ops, desculpe, o "amigo" (rsrsrs).

Já que é assim, "suerte" a todos os que têm esse "amigo" com quem, entre uma cerva e outra, passarão noites tórridas de convencimento, a terem a visão do paraíso mas se contentarem em permacer com os pés fincados no infrutífero solo cansado da "Província Morna".



PS.:
* Homem Linear, o lineares é por minha conta, nem sei se existe este termo em latim.
** Lugar onde habita o Homo Lineares.

sábado, 15 de maio de 2010

Baú de Guardados III


Imagem by José Luis Magalhães


Mais uma do báu, 1989.



UMA HISTÓRIA QUASE COMUM

Você é um homem de penumbras, indecisões
De notas deixadas nas entrelinhas, de silêncios
Vive da brisa que sopra.

Eu sou uma mulher de amplitudes, clarões
De vôos solenes ao infinito, de imensidão
Vivo ao sabor dos ventos.

Assim somos nós...

by Giu

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O verbo blogar


Imagem by Jorge Silva


Ontem postei um poeminha, toda receosa, achando infantil, sem propósito. No entanto, que surpresa boa eu tive com o comentário feito pelo parceiro blogueiro (posso te chamar assim, né?) JefhCardoso, que conseguiu captar um pouco da minha essência, do meu jeito meio moleca de ser, ao ler DIVAGAÇÕES SOBRE UMA BANANA.

Fui até o blog dele e achei este texto que compartilho com vocês e recomendo vá até lá, tenho certeza que vão gostar.

É exatamente assim que me sinto em relação ao JAKUTINGA...


O VERBO BLOGAR

O Blog, á nossa maneira, á maneira do blogueiro amador, blogueiro por amor, não dá dinheiro; mas dá prazer. Isso sim. Quando bem trabalhado dá muito prazer.

Quando elaboramos uma postagem nos percorre os sentidos uma onda de alegria. Somos tomados por uma euforia pueril. Tornamo-nos escritores ou escritoras que “parem” seus filhos; tornamo-nos editores; ou produtores; ou mesmo jornalistas, ainda que não o sejamos; tornamo-nos poetas e poetisas; contistas e cronistas; romancistas; críticos até. Queremos compartilhar o quanto antes aquilo que criamos. Criar é uma parte deliciosa do “blogar”; e blogar é a expressão máxima da democratização literária – e os profissionais que não façam caretas, pois, se somarmos todos os leitores de blog que há por aí divididos fraternalmente entre os milhões de blogs espalhados pelo grande mundo virtual, teremos mais leitores que Dan Brown e muitos clássicos adormecidos sob muitos quilos de poeira.

Postar é tudo de bom! Quando recebemos comentários o prazer é dobrado. Vem gente mais letrada que a gente, vem gente simples como a gente, vem gente nova e gente experiente; vem toda a gente; ou simplesmente não vem gente. Em meu caso, especificamente, quando não veio gente eu chamei as pessoas de meu convívio; ofereci um papelzinho do tipo convite com o link e fiquei esperando, ou então enviei o link por email; os amigos não me decepcionaram. (sorrio). A eles sigo muito grato. Pois se não são os comentários... Ai de nós blogueiros quando solitários! Confortamo-nos com a possibilidade das visualizações dos leitores tímidos.

Blogar é um jeito romântico de se escrever – só não é mais romântico que cartas apaixonadas.

Blogar é como o samba descompromissado de Noel Rosa em “Conversa de Botequim”; é como o drible de Garrincha sobre o Zé, ou as peripécias de Mazzaropi; ambos em preto e branco. Blogar é como certa filosofia da Boneca Emília, “filha” do saudoso Monteiro Lobato, que certa vez disse nas ‘Memórias da Emília’: “A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso... A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.”

E blogar é uma linda maneira de se entre piscar; é “altruísmo ego centrista”: (sorrio); é divino e sagrado; é romântico e prazeroso; é sonhar e realizar; é compartilhar enfim.

Obs. A citação é um trecho do livro Memórias da Emília, de Monteiro Lobato.

Para ler mais textos de JefhCardoso http://jefhcardoso.blogspot.com/

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Divagações sobre uma BANANA :P


Imagem by Tiago Oliveira


Eu conheço uma "minina"
Que acha que me engana
Mas faz tempo que já sei
Quem é de verdade a "fulana"
E por isso deletei
Dei-lhe uma BANANA :P

by Giu


PS.: Não resisti, tive que postar. Ficou tão engraçadinho, as rimas tão bonitinhas, né? (rsrs)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Vem, meu amor...


Imagem by Judith Tomaz

Vem, meu amor...

Aninhar-se no meu corpo
Espantar meus medos
Até a saudade desaparecer
No calor do seu abraço.

by Giu


Paula Lima cantando Tom Jobim, "Só tinha que ser com você"


terça-feira, 11 de maio de 2010

As MÁSCARAS sempre caem (graças à Deus)


Imagem by Leandro


"A alegria vem quando as pessoas bebem de suas próprias fontes frescas a verdade que mora nelas. Essa verdade, o segredo da vida, é uma enorme e obstinada mansidão, que não recua nunca, e corre sempre, irresistível, sem revidar, como o rio..."
(Rubem Alves)

Outro dia, conversando com alguns amigos sobre temas para festa de aniversário, surgiu o assunto MÁSCARAS e consequentemente o bordão: "as MÁSCARAS sempre caem".

Faz tempo que penso nisso.

Faço agora uma reflexão, quase um desabafo, porque as minhas reflexões são, na maioria das vezes quando escrevo, porque ao escrever, vou tentando entender ou pelo menos colocar para fora meus sentimentos, e dessa maneira fechar minha gestalt sobre determinado assunto, sentimento.

Fiquei me perguntando "por que" as pessoas usam MÁSCARAS, por que se escondem, por que não se mostram como realmente são?

A palavra pessoa tem origem no latim, persona, que significa MÁSCARA, que os atores usavam no teatro. Será por influência etimológica, que muitas pessoas passam a ser atores no palco da vida, sempre representando "papéis", usando MÁSCARAS?

No palco da vida o papel da HIPOCRISIA, que em grego significa "representar um papel", é sem dúvida o mais canastrão de todos, porque o HIPÓCRITA é aquele que usa MÁSCARAS com o único propósito de enganar, mostrar um rosto que não é o seu. E essa pessoa na verdade é digna de pena porque quando tira a MÁSCARA da HIPOCRISIA, se depara com seu rosto verdadeiro, com seu interior, com a sua essência, que não é bela.

Ah! Se pudessemos ver por detrás destas MÁSCARAS no instante que determinada pessoa entra na nossa vida, tantas decepções seriam poupadas, tantas feridas não seriam abertas, tantas tristezas poderiam ser evitadas.

Mas triste mesmo e cruel é a vida de uma pessoa que vive de MÁSCARA, até para si própria, porque ao se despir da MÁSCARA, do seu papel de HIPÓCRITA, depara-se com a sua realidade e por isso passa a vida a fugir de si, sem coragem para ser uma pessoa melhor. Ainda bem que as MÁSCARAS um dia caem, para os expectadores, ainda que o HIPÓCRITA continue mascarado para si mesmo.

Bom mesmo é poder viver de cara limpa e algumas vezes poder dizer: "Ei, você deixou cair algo no chão" (rsrs).

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Solidão a 2


Imagem by Miguel Castro


Fragmento de inspiração...


Tantas tardes, tanta paixão
Encaixe mais que perfeito
Que ao cair da noite é desfeito

(Retornamos para a nossa solidão)

by Giu