
MÊS DE MAIO - Almir Sater
Este é um espaço das delícias. Delícias em forma de palavras, poesias e muita imaginação. Cotidianos, meridianos, tardes insólitas, viagens interplanetárias, horas vadias...

MÊS DE MAIO - Almir Sater

"Me diga
Preciso começar a te esquecer?
Já chegou a hora ou está passando da hora?
Sei exatamente quando foi que me perdi, mas não consigo encontrar o momento em que comecei a te perder.
Me diga antes que eu sofra.
Não me faça prometer o que não te faz diferença.
Ou então me tira do cano, me leva com você, cuida de mim, me dê proteção, me ame todos os dias.
Brigue comigo, me faça ser só sua, me rapte, me queira só prá você.
Me dê o prazer de não mais ter que me despedir.
Me dê o prazer de não mais ter que esperar.
Me dê o prazer de saber que vc sempre irá voltar.
Ou então me dê somente a certeza de que devo mesmo te esquecer."
(TOP SECRET*)

Uma noite, um velho índio Cherokee contou ao seu neto sobre a guerra que acontece dentro das pessoas.
Ele disse: “A batalha é entre dois 'lobos' que vivem dentro de todos nós. Um é Mau. É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso, superioridade e ego. O outro é Bom. É alegria, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé”.
O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô: “Qual lobo vence?”
O velho Cherokee respondeu: “... Aquele que você alimenta...”



O VERBO BLOGAR
O Blog, á nossa maneira, á maneira do blogueiro amador, blogueiro por amor, não dá dinheiro; mas dá prazer. Isso sim. Quando bem trabalhado dá muito prazer.
Quando elaboramos uma postagem nos percorre os sentidos uma onda de alegria. Somos tomados por uma euforia pueril. Tornamo-nos escritores ou escritoras que “parem” seus filhos; tornamo-nos editores; ou produtores; ou mesmo jornalistas, ainda que não o sejamos; tornamo-nos poetas e poetisas; contistas e cronistas; romancistas; críticos até. Queremos compartilhar o quanto antes aquilo que criamos. Criar é uma parte deliciosa do “blogar”; e blogar é a expressão máxima da democratização literária – e os profissionais que não façam caretas, pois, se somarmos todos os leitores de blog que há por aí divididos fraternalmente entre os milhões de blogs espalhados pelo grande mundo virtual, teremos mais leitores que Dan Brown e muitos clássicos adormecidos sob muitos quilos de poeira.
Postar é tudo de bom! Quando recebemos comentários o prazer é dobrado. Vem gente mais letrada que a gente, vem gente simples como a gente, vem gente nova e gente experiente; vem toda a gente; ou simplesmente não vem gente. Em meu caso, especificamente, quando não veio gente eu chamei as pessoas de meu convívio; ofereci um papelzinho do tipo convite com o link e fiquei esperando, ou então enviei o link por email; os amigos não me decepcionaram. (sorrio). A eles sigo muito grato. Pois se não são os comentários... Ai de nós blogueiros quando solitários! Confortamo-nos com a possibilidade das visualizações dos leitores tímidos.
Blogar é um jeito romântico de se escrever – só não é mais romântico que cartas apaixonadas.
Blogar é como o samba descompromissado de Noel Rosa em “Conversa de Botequim”; é como o drible de Garrincha sobre o Zé, ou as peripécias de Mazzaropi; ambos em preto e branco. Blogar é como certa filosofia da Boneca Emília, “filha” do saudoso Monteiro Lobato, que certa vez disse nas ‘Memórias da Emília’: “A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso... A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.”
E blogar é uma linda maneira de se entre piscar; é “altruísmo ego centrista”: (sorrio); é divino e sagrado; é romântico e prazeroso; é sonhar e realizar; é compartilhar enfim.
Obs. A citação é um trecho do livro Memórias da Emília, de Monteiro Lobato.
Para ler mais textos de JefhCardoso http://jefhcardoso.blogspot.com/

"A alegria vem quando as pessoas bebem de suas próprias fontes frescas a verdade que mora nelas. Essa verdade, o segredo da vida, é uma enorme e obstinada mansidão, que não recua nunca, e corre sempre, irresistível, sem revidar, como o rio..."
(Rubem Alves)