sábado, 24 de abril de 2010

Foi assim como ver o mar...


Imagem by NEST

"O tempo se mede com batidas. Pode ser medido com as batidas de um relógio ou pode ser medido com as batidas do coração (...) o tempo do relógio é indiferente às tristezas e alegrias. Há, entretanto, o tempo que se mede com as batidas do coração. Ao coração falta a precisão dos cronômetros. Suas batidas dançam ao ritmo da vida. Por vezes tranquilo, de repente se agita, tocado pelo medo ou pelo amor. Dá saltos. Tropeça. Trina..." (Rubem Alves)


Às vezes sinto uma tristeza profunda, alguns fantasmas voltam a rondar, algumas coisas que moram na minha alma e não conseguem cicatrizar, como a tristeza de amor, a tristeza de um vazio que deseja o pleno. Bastaria um encontro, um sorriso para iluminar a alma, arrancar do peito a tristeza que fez morada quando você de mim partiu, deixando um buraco na minha alma, um vazio, a falta de você, "saudade é a presença de uma ausência, um vazio que dói" (Rubem Alves).

Tem sentimentos que deveriam permanecer bem enterrados e o meu amor por você é um deles, mas o que fazer com o incontrolável, com esse vulcão dentro do meu coração, que só com a possibilidade, ainda que ínfima, de te encontrar, entra em erupção? Toma conta de todos os meus pensamentos, solidificando ainda mais, com suas lavas emocionais, o meu amor por você, o te querer, te desejar com sofreguidão, quase uma loucura, "e me vingar a qualquer preço, te adorando pelo avesso, pra mostrar que ainda sou tua" (Chico Buarque).

Descobri que o amor ignora os abismos do tempo, ignora a distância física porque continua vivendo da proximidade de alma, da certeza do encontro. Esperar e ansiar ter novamente o calor do abraço, o gosto do beijo, a luz do sorriso e o reencontro do olhar. A distância não apaga, ela acende o amor até quase queimar, arder, delirar. Nós dois sabemos que somos um do outro, sempre fomos, sempre seremos. Escolhemos em todas as nossas vidas nos encontrar, somos yin e yang e somente quando estamos juntos a felicidade acontece, "ainda te sinto em tudo que permanece" (Alice Ruiz).


"Foi assim, como ver o mar, a primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar..."


TODO AZUL DO MAR (Flávio Venturini)


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